Acordei num certo dia de Agosto. Acordei na presença de um calor infernal.
Os meus lençóis encontravam-se encharcados, o cabelo húmido de suor, escorrendo, e eu bafejava para poder inspirar um pouco mais de oxigénio.
Levantando-me, tomei um rápido banho de água gelada. Acabando-o, quando me começava a vestir, senti uma sede sufocante. Decidi imediatamente a eliminação desta terrível malvada.
Corri para o frigorífico, agarrando um frasco de água gelada e bebericando insaciavelmente, a sede não desaparecia. Agarrei em vários limões, espremi até não haver mais sumo neles, e juntando água e açúcar, dei longos goles na preparação. Com a contínua presença desta terrível causadora de secura, agarrei uma “bujeca” escondida atrás dos iogurtes e emborquei de pênalti.
Desesperado com a impotência experienciada frente a tal sede e calor, cheguei ao ponto de lamber as paredes da arca frigorífica, até encontrar a verdade. Eu não tinha sede, eu tinha fome.
Fome? Fome de quê? Vocês perguntam-se?
Fome. Fome de vida.
Vesti uns calções de banho, uma t-shirt e calcei umas havaianas. Fiz-me à estrada.
Apanhei o metro, mudando de linha até o meu portal (o comboio fertagus).
Do outro lado da ponte fui até a estação de Corroios. Saindo interceptei o caminho a uma velhinha simpática, perguntando como poderia chegar à praia. Ela disse-me que eu me encontrava muito longe desta, indicando-me qual a paragem e qual o autocarro pretendido. Eu duvidei dela, perguntei-lhe qual era a direcção para a praia. Ela apontou, eu fui.
Caminhei, caminhei durante um longo espaço de tempo, mas sem relógio não sei dizer o exacto.
Até que cheguei e senti aquele ar puro a entrar-me nos pulmões, e ao erguer o queixo, avistei-a. A praia, metros de areia até ao mar, o caminho para o paraíso.
Corri sorrindo não como uma criancinha que encontra a sua chupeta, nem como um bebezinho que sorri por tudo e por nada. Sorri como só um “Tomateiro” consegue sorrir.
E corri despindo-me e descalçando-me, e mergulhei. Nadei e nadei, até a falta de oxigénio me obrigar a imergir. E ao voltar à superfície, soltei uma gargalhada. Soltei-a porque alcancei o meu objectivo. Alcancei a praia, a areia, a água salgada, o Sol, o ar puro, uma junção divinal que matou a minha fome.
Antes eu pensava que a conhecia pois eu a encontrava sempre que um ano escolar terminava, nas chamadas férias. Era a ausência de responsabilidades, de trabalhos de casa, de obrigações, de pais e de expectativas. Era a presença de alegria, de união, de simplicidade, moca e Verão.
Eu sentia o seu gosto naquela altura do ano, então chamava-lhe “Férias de Verão”. Hoje, hoje sabe-me a VIDA.
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1 comentário:
Imergir - afundar algo em líquido
Emergir - elevar algo acima do nível da água
Neste texto utilizar-se-ia a palavra emergir, onde a palavra imergir foi mal empregue.
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